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Arnaldo Gonçalves: Opção de São Tomé e Príncipe é “lógica”
Quarta, 21/12/2016

O corte de relações de São Tomé e Príncipe com Taiwan é uma decisão “lógica”, defende o especialista em relações internacionais Arnaldo Gonçalves.

 

“Vem na sequência do alinhamento dos outros países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Mais tarde ou mais cedo, teria de acontecer. Havia iniciativas de abertura da China em relação a São Tomé e Príncipe, no sentido de concretização de investimentos. Naturalmente, o Governo de São Tomé e Príncipe terá analisado esta questão da sua política externa e percebido que teria mais vantagens em reconhecer a China”, nota.

 

Arnaldo Gonçalves argumenta que a decisão foi feita a partir de uma análise “rigorosa” e “equilibrada” dos interesses nacionais de São Tomé e Príncipe. No futuro, o país pode aproveitar a “onda de investimentos da China em África”, que tem estado concentrada no sul do continente e, mais recentemente, na parte central.

 

São Tomé e Príncipe e Taiwan mantinham relações diplomáticas desde 1997. “Na altura, os responsáveis políticos de São Tomé e Príncipe sentiram que havia uma oportunidade de estabelecer uma relação preferencial com o Governo de Taiwan. Entretanto, passaram duas décadas e a China ganhou um protagonismo em termos mundiais e regionais”, destaca Arnaldo Gonçalves.

 

O analista relativiza o possível impacto para Taiwan da decisão de São Tomé e Príncipe. “Não vejo um grande retrocesso. O regime de Taiwan percebe, claramente, que está numa posição desfavorável, à medida que o tempo passa. A República Popular da China tem cartas no baralho que consegue jogar com inteligência e oportunismo”, argumenta.

 

“A actual liderança de Taiwan vai tentar ganhar algum espaço de autonomia em relação àquilo que são os interesses estratégicos do Continente e afirmar-se no plano regional”, antecipa Arnaldo Gonçalves sobre as estratégias futuras em matérias de política externa da ilha.

 

O corte dos laços diplomáticos entre São Tomé e Príncipe e Taipé abre as portas do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa ao arquipélago africano. A Rádio Macau tentou obter informações sobre a existência de um pedido de adesão, mas a estrutura multilateral ainda não respondeu às questões endereçadas.

 

Actualmente, Taiwan tem apenas dois aliados em África: o Burkina Faso e a Suazilândia. Na Europa, o único estado que reconhece o território é o Vaticano. Depois, há 12 países da América do Sul e das Caraíbas, e seis países da Ásia Oriental e do Pacífico, que mantêm relações diplomáticas com Taipé.