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Farmácia que foi “ninho” da revolução chinesa abriu portas
Quinta, 15/12/2016

Mais de um século depois de ter fechado portas, abre hoje ao público a antiga farmácia de Sun Yat-sen, agora como casa-museu. Depois de um longo trabalho de recuperação do edifício histórico, o espaço arranca com duas exposições: uma sobre o processo de conservação do prédio e outra sobre a história do “pai da China moderna”, que usou o n.º 80 da Rua das Estalagens para reuniões secretas que resultaram no derrube da dinastia Qing.

 

Era aqui o “ninho” onde as “águias” revolucionárias conspiraram; é este o “berço da República Chinesa”. Assim descreveu o padre Manuel Teixeira a antiga farmácia de Sun Yat Sen. Era aqui, e não no memorial à Rua de de Silva Mendes, em frente ao comando da PSP, que o historiador queria ver contada a passagem do “Pai da Pátria” por Macau.

 

O Instituto Cultural (IC) fez-lhe a vontade. O nº 80 da Rua das Estalagens abriu ao público com uma exposição sobre os 150 anos do nascimento do primeiro presidente da República da China.

 

A mostra faz referência à actividade revolucionária, mas não há registos das reuniões secretas em que Sun Yat-Sen terá conspirado a destituição do governo imperial Qing. “Se tivermos, whoa!”, exclama, Guilherme Ung Vai Meng, presidente do Instituto Cultural, que guia os jornalistas pelo edifício recuperado pelo Governo.

 

 “Não mexemos nada no tecto. [Esta técnica] é muito inteligente para captar luz. Só um vidro resolveu muitos problemas” de iluminação, diz. Ung Vai Meng está no terceiro andar.  É aqui que se conta o trabalho de recuperação feito pelo Governo: o restauro das paredes de tijolo, das janelas de madrepérola e das tabuletas feitas em estuque chinês que resistiram à passagem de mãos de um edifício que também foi um salão taoista e uma casa de sedas. “Qualquer pedra. Por exemplo, os tijolos antigo – se houver problema [de conservação], mudamos um a um. As paredes, as janelas, o ambiente – é tudo 100 por cento original”, sublinha Ung. 

 

Em risco de ser demolido, o prédio, construído antes de 1892, foi comprado em 2011 pelo Governo e está em processo de classificação. 

 

Durante os trabalhos de recuperação da antiga farmácia, foi ainda descoberta, no subsolo, uma antiga estrutura de granito, de grande escala, que se pensa serem as ruínas do que em tempos foi um cais ou um porto.

 

O presidente do IC conta como Sun Yat-Sen chegou a este edifício, quando estava no Hospital Kiang Wu, a quem pediu empréstimos para abrir a farmácia, que servia de fachada às actividades revolucionarias. “Depois de trabalhar como voluntário no Kiang Wu, arranjou esta farmácia para continuar a tratar os doentes pobres, sem cobrar. Na mesma altura, a revolução começava na cabeça dele porque Macau era um sítio onde se encontrava muitas ideias novas”, recorda. Ung Vai Meng não esconde o entusiasmo: “Esta casa é importantíssima porque o Dr. Sun Yat Sen mudou a China inteira!”.

 

O Instituto Cultural tem mais planos para o edifício. Mas são, por enquanto, secretos.