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Importação de motoristas divide deputados
Quinta, 15/12/2016

O período antes da ordem do dia de hoje na Assembleia Legislativa ficou marcado por uma divergência de opiniões quanto à importação de motoristas profissionais entre os deputados ligados aos interesses dos patrões e os deputados ligados aos interesses dos trabalhadores.

 

Do lado dos que se mostraram a favor, Kou Hoi In, que também falou em nome de Cheang Chi Keong e Chui Sai Peng, todos eleitos pela via directa em representação dos sectores industrial, comercial e financeiro, defendeu que o Governo deve considerar abrir uma excepção e permitir a contratação de condutores de veículos que fazem a entrega de mercadorias.

 

De acordo com Kou Hoi In, empresário, “recentemente realizou-se um colóquio no escritório dos deputados da vertente empregadora” e “segundo as opiniões manifestadas, a insuficiência de recursos humanos, em particular a falta de motoristas que também possam entregar mercadorias e de trabalhadores novos tem impacto na sobrevivência de sectores que precisam dos serviços de entrega de mercadorias e na vida da população”.

 

Por isso, os três deputados defenderam que “o Governo deve ser pragmático  e deve tratar de forma diferente as matérias de ‘condutores de entrega de mercadorias’ e ‘condutores profissionais’, duas profissões intimamente ligadas à vida da população, e autorizar a política de ‘permitir entregadores de mercadorias importados para conduzir veículos motorizados de entrega de mercadorias”.

 

Em contraste a estes apelos, a deputada Ella Lei, que representa os trabalhadores no Conselho Permanente de Concertação Social, avisou que a importação de mão-de-obra vai levar à perda de emprego por parte dos motoristas: “Actualmente, no sector comercial ou até no dos motoristas, trabalho destinado exclusivamente aos residentes de Macau, também existem muitas vozes que apelam para a importação de trabalhadores não residentes. Isto vai directamente levar à perda de emprego por parte dos motoristas. Como é que não ficam preocupados e indignados com isto?”

 

Quem também mostrou preocupação pelos efeitos negativos da importação de motoristas foi o deputado Au Kam San, para quem a falta destes profissionais “é um falso fenómeno”.

 

“Segundo o sector comercial, há falta de motoristas em Macau, e até há quem diga que mesmo com um salário de 30 mil patacas é impossível contratar um. Mas, se isto acontecesse, creio que seria tão atraente como ser ‘croupier’ ou ter um lugar na função pública. Na realidade, muitos motoristas ou estão desempregados ou não têm trabalho suficiente. É de salientar que os disparates ditos por alguns operadores são para quebrar a política de proibição de importação de motoristas profissionais”, acusou.

 

Para Au Kam San, deve ser dada atenção ao que o deputado diz ser “o problema do uso abusivo da licença de condução especial”, emitida aos condutores do Interior da China que fazem transporte transfronteiriço.

 

Au Kam San lembrou que o regime de licença de condução especial em vigor tem mais de 30 anos e “não acompanhou o desenvolvimento”.

 

De acordo com o deputado, “muitas empresas de capitais chineses, pelo facto de terem um representante legal em Macau das companhias sediadas na República Popular da China, conseguiram a licença especial de condução para os seus empregados e começaram a operar o serviço de ‘shuttle bus’ para diversas concessionárias do jogo, o que vai totalmente contra o inicialmente estipulado para essas empresas de transporte de passageiros e de mercadorias”.

 

Au Kam San disse que “a prestação do serviço de ‘shuttle bus’ por essas empresas, depois de conseguirem a licença especial de condução, contraria a finalidade inicial deste regime”.

 

O deputado conclui que a “execução pouco rigorosa da lei pelas autoridades policiais tem contribuído para essa actividade dos motoristas não residentes das referidas empresas, resultando em concorrência para os motoristas locais”.