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Ho pede provas de alegada participação económica em negócio
Quarta, 14/12/2016

Ho Chio Meng desafiou hoje a acusação a apresentar provas da alegada associação criminosa às empresas que receberam milhares de contratos do Ministério Público (MP), entre 2004 e 2014. O ex-Procurador é acusado ter agido em conluio com os empresários, através de familiares. Há imagens de videovigilância que podem ser consideradas comprometedoras para o irmão de Ho Chio Meng, Ho Chiu Shun, registos de chamadas telefónicas e de encontros.

 

Ouvido pelo terceiro dia no Tribunal de Última Instância (TUI), o ex-Procurador continuou a negar as acusações e a assumir absoluto desconhecimento sobre os alegados crimes. Esta manhã, Ho Chio Meng disse ter ficado “muito surpreendido” quando soube que estava acusado de ceder instalações arrendadas pelo Gabinete do Procurador às empresas que, durante dez anos, ficaram com todos os contratos de obras, serviços, bens e fornecimento do MP.

 

O ex-Procurador alega que a acusação “não corresponde totalmente à verdade” e que “não existe burla nenhuma”.

 

O centro de acção do alegado crime é o 16º andar do edifício Hotline, onde funciona hoje o Gabinete do Procurador. Ho Chio Meng diz que tinha a ideia de que o MP arrendou todo o piso: foi ao preparar a defesa que descobriu que uma das fracções era independente.

 

É aqui que surgem duas versões distintas. De acordo com acusação, era neste espaço que estava o escritório das empresas, sob a capa de sala de microfilmagem do MP.

 

Ho Chio Meng nega e alegou falta de provas: pediu à acusação para mostrar a planta do andar que consta do processo e estará desactualizada. Haveria uma parede, e uma porta com código a separar o espaço usado pelo MP e as fracções associadas às empresas.

 

O ex-Procurador desafiou ainda a acusação a apresentar uma imagem que provasse que tenha entrado no escritório das empresas. O MP deu a mão à palmatória, mas mostrou imagens do irmão de Ho Chio Meng no andar. Haverá também provas de que o cunhado e o motorista estiveram no local.

 

Um dos registos referentes a Ho Chiu Shun foi captado há precisamente dois anos. Nesse dia, terá usado o telefone fixo das empresas para falar com Ho Chio Meng, de acordo com os registos de chamadas apresentados pela acusação.

 

O contrato exibido pelo MP mostra que a fracção associada ao irmão do ex-Procurador foi arrendada pelo Gabinete do Procurador.

 

Ho Chio Meng manteve que, inicialmente, foi celebrado um contrato único para todo o piso e que esta fracção funcionava como sala de arquivo do MP.

 

Em 2004, a gestão do arquivo foi entregue a uma empresa. O ex-Procurador disse ter tomado agora conhecimento de que o contrato de adjudicação autorizava a companhia a usar as instalações e equipamentos do MP.

 

Sobre as alegadas ligações do irmão à empresa, Ho Chio Meng alegou desconhecimento total.

 

A acusação mostrou ainda imagens do ex-Procurador a sair de uma sauna, às duas da manhã, na companhia de um dos empresários detidos, Mak Im Tai, e do suposto proprietário da fracção. Foi em 2015, depois de ter deixado o cargo. Estas duas pessoas terão sido também convidadas para eventos da família Ho.

 

Ho Chio Meng confirmou o encontro na sauna, mas afastou uma relação de amizade próxima com estas pessoas.

 

Da acusação constam também despesas de hotel e bilhetes de avião que terão sido pagas pelo MP a pessoas alheias ao serviço. Na lista, há homens e mulheres. Ho Chio Meng negou ter qualquer relação íntima com estas mulheres.

 

Na sessão desta manhã, o antigo Procurador voltou a queixar-se de problemas de saúde. “Estou cansado. O meu estado de saúde não está bom. Não consigo aguentar mais”, disse. O tribunal decidiu interromper a audiência: o julgamento prossegue sexta-feira.