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Jornalistas defendem calendário para sufrágio universal
Sábado, 07/01/2012
Alguns jornalistas defendem mudanças nas leis eleitorais tendo já em conta o futuro, isto é, para se caminhar no sentido do sufrágio universal. Para isso, é preciso alterações mais significativas e um calendário, disseram alguns, no colóquio de hoje, desta vez, dedicado aos representantes da comunicação social em língua chinesa, portuguesa e inglesa.

Tsu Veng In foi o primeiro a ir além do discurso da mudança gradual do sistema político tendo em conta as características próprias do território. O jovem jornalista do Clube de Comunicação Social, entende que o Governo tem de, no processo de mudança das leis eleitorais, pensar já no sufrágio universal. “Temos vindo a dizer que Macau tem de tornar-se numa cidade internacional e que temos de nos articular com os padrões e práticas internacionais e, assim sendo, Macau tem de ter um sistema político que vá caminhando até ao sufrágio universal. Claro, é óbvio que é um processo gradual, e tem de ser, mas pelo menos devemos poder já nesta fase definir um calendário para atingir do sufrágio universal”.

Tsu Veng In propôs também que seja a população a escolher os deputados eleitos pela via indirecta, tendo o mesmo sido defendido por Nichols Fong. O jornalista da Associação dos Trabalhadores da Comunicação Social aproveitou ainda para colocar a possibilidade de se alterar este sistema, “bastando os responsáveis da área profissional registarem-se como se fossem um dos candidatos”. Nichols Fong justifica a ideia, sugerindo que há muitas associações que ficam um ano inteiro sem realizar quaisquer actividades. O jornalista considera até que a via indirecta, como funciona agora, é um “defeito no sistema político actual”. No colóquio, outros jornalistas também propuseram cortes no número de deputados tanto eleitos pela via indirecta como nomeados, e, em sentido contrário, um aumento dos deputados eleitos por sufrágio directo.

Já Wong Tong, ligado à associação dos jornalistas de Macau, não teve papas na língua. O jornalista disse que as pessoas têm receio de dar opinião. Além disso, Wong Tong disse o que a população quer “é um voto por pessoa”. “Eu sei que nas próximas eleições ainda não é oportuno o sufrágio directo (...) mas deviamos dar um segundo passo já a pensar em 2019”, disse.

Quanto ao Colégio Eleitoral, foi proposto que se deixe entrar mais pessoas com mérito reconhecido pela sociedade e também representantes de sectores em falta, como a cultura e a educação. Ainda houve tempo para Tsu Veng In dizer à Secretária para a Administração e Justiça que um colóquio só para consulta da população em geral não chega.

No final, Florinda Chan estava satisfeita com as opiniões. Ao fechar a sessão, a secretária afirmou que este foi “o colóquio mais eficaz”.