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Acusação de associação criminosa “não tem lógica”, diz Ho
Segunda, 12/12/2016

O Tribunal de Última de Instância inquiriu Ho Chio Meng, durante cerca de duas horas, sobre a alegada fundação de uma associação criminosa, que funcionaria num andar abaixo do Gabinete do Procurador, no edifício Hotline. Na segunda sessão de julgamento, o ex-Procurador continuou a negar as acusações. Mas cedeu num ponto: admitiu que, de facto, há relações de parentesco entre alguns funcionários contratados para o Ministério Público (MP).

 

Questionado pelo tribunal sobre como tomou conhecimento das afinidades, Ho Chio Meng hesitou: “Tenho mesmo de responder?”. “As duas secretárias de apelido Chan telefonaram-me”, disse. Já na recta final do depoimento, o ex-Procurador afirmou que a acusação de associação criminosa “não tem lógica”. “Se quisesse constituir uma associação criminosa iria contratar familiares [ou amigos dos alegados membros]? Alguns [dos funcionários] são familiares de secretários e de altos dirigentes. Não tem lógica”, aditou.

 

Ho Chio Meng disse também que o salário que recebia enquanto Procurador era “muito mais alto” do que os alegados dividendos do grupo criminoso.

 

O ex-Procurador é acusado de dar instruções para serem contratadas pessoas próximas dos membros da associação para o gabinete oficial. O objectivo seria facilitar o funcionamento do grupo criminoso e os contactos com o MP.

 

A acusação alega que a associação de malfeitores criou dez empresas fantasma que ficaram com todos os contratos de obras, bens, serviços e fornecimento do MP. O irmão e o cunhado de Ho Chio Meng estarão entre os membros do grupo.

 

O ex-Procurador negou ter dado qualquer instrução para que os contratos fossem entregues a esta rede de empresas, negou também fortes de relações de amizade com os empresários envolvidos e disse desconhecer qual a relação dos familiares com as empresas. De acordo com a acusação, o dinheiro dos contratos foi transferido para contas controladas pelo irmão de Ho Chio Meng.

 

O arguido refutou também a ideia de que havia nomes de código entre os membros do grupo. Disse, por exemplo, que era tratado por “Chefe” por ser dirigente do MP e que o irmão é de facto o “tai lou”, o irmão mais velho da família – argumento que usou também para negar a autoria de um apontamento escrito à mão onde constam os alegados nomes de código. Disse que nunca trataria o irmão pelo nome completo, mas por “mano ou irmão mais velho”.

O documento (que terá sido redigido quando os arguidos sabiam que estavam sob investigação) foi encontrado numa residência de Ho Chio Meng, que pediu que fosse feito um exame à caligrafia. O teste foi já feito e o resultado indica que “é muito provável” que a letra seja do ex-Procurador.