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Ho Chio Meng fez o “erro” de não mostrar vivenda ao sucessor
Segunda, 12/12/2016

Ho Chio Meng mantém que não cometeu nenhum crime. Esta manhã, no segundo dia de julgamento, o Tribunal de Última Instância confrontou o ex-Procurador da RAEM com a existência de uma vivenda em Cheoc Van que, durante 14 anos, serviu de hospedagem do Ministério Público (MP). A acusação alega que a casa era usada como residência pessoal – Ho Chio Meng nega e diz que só de arrepende de um facto: nunca ter informado o actual Procurador sobre a existência da moradia.

 

Ouvido pelo presidente do TUI, Sam Hou Fai, Ho Chio Meng disse que fez “um erro” por não ter informado o sucessor, Ip Son Sang, sobre a vivenda quando deixou o cargo, acrescentado que se tivesse acompanhado o “actual líder do MP” numa visita guiada ou “organizado um barbecue” para delegados do procurador, “talvez não tivesse sido acusado” de mais de 1500 crimes.

 

Na versão da acusação, a vivenda de Coloane era usada a título privado pelo ex-Procurador, desde 2006. O contrato de arrendamento começou em 2000 e representava um encargo mensal de 46 mil patacas (cerca de meio milhão de patacas por ano) para o MP.

 

Numa rusga feita em Abril, foram encontrados objectos pessoais, que são usados pela acusação como prova de que a vivenda era habitada por Ho Chio Meng e pela família. A garagem estaria transformada num gabinete, haveria uma cave de vinhos, fotografias e heranças de família.

 

Ho Chio Meng confirmou as alterações feitas na casa, mas garantiu que nunca usou a vivenda para uso particular, durante o tempo em que foi Procurador.

 

O contrato de arrendamento terminou em Dezembro de 2014, na altura em que acabou o mandato, e é a partir deste momento que ex-Procurador admite ter usado a vivenda para fins particulares e fez uma revelação: ficou um ano e quatro meses sem pagar renda. Haveria a intenção de comprar a moradia.

 

Já como Procurador, Ho Chio Meng alegou que a vivenda dava de facto hospedagem a convidados do MP. Com a ajuda de um bloco de notas, apresentou uma lista de testemunhas que poderiam confirmar que a casa tinha uso oficial: deu nomes de procuradores da China, de representantes nacionais da área da segurança e do Ministério do Interior, e que foram reconhecidos por Sam Hou Fai.

 

Após uma breve hesitação, o ex-Procurador revelou que foi também nesta vivenda onde recebeu personalidades que lhe falaram sobre a eleição do Chefe do Executivo, em 2009.

 

Alegando razões de segurança e de discrição para explicar por que recebia convidados na vivenda de Cheoc Van não no gabinete oficial, Ho Chio Meng indicou também que a moradia serviu ainda de ponto de encontro com responsáveis da segurança na sequência do tiro que marcou  o 1º  de Maio de 2007.

 

Sam Hou Fai estranhou que a vivenda não tivesse uma empregada a tempo inteiro. Num momento mais descontraído, o juiz perguntou quem fervia a água para o chá dos convidados. Ho Chio Meng chegou a indicar o motorista que, por ser da China, sabia preparar chá, provocando alguns risos – acabou por se lembrar de que a empregada da residência oficial limpava e assegurava a manutenção da vivenda, entre uma a duas vezes por semana.

 

Após um ano e meio sem pagar renda e já com Ho Chio Meng preso preventivamente, o MP recebeu uma ordem de despejo. Ho Chio Meng revelou já não ter dinheiro para compensar o proprietário, mas negou qualquer incumprimento legal por o contrato estar já caducado.