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AMM criticada por demora a desmentir notícia sobre Union Pay
Segunda, 12/12/2016

O economista Albano Martins considera que a Autoridade Monetária de Macau (AMM) demorou demasiado tempo a desmentir a notícia avançada pelo South China Morning Post, na sexta-feira, sobre a redução do valor que os titulares de cartões da Union Pay podem levantar diariamente nos multibancos de Macau.

 

Em declarações à Rádio Macau, Albano Martins disse que é dever da Autoridade Monetária fazer desmentidos de rumores e notícias falsas “em tempo real”, para evitar impactos nos mercados bolsistas: “A AMM tem o dever de, em tempo real, muito rapidamente, pôr termo a qualquer tipo de informação ou de notícia que não seja correcta e que envolva transacções cuja responsabilidade compete à Autoridade Monetária velar. A AMM devia ter intervindo imediatamente, porque, tratando-se do South China Morning Post, com a projecção que tem, era uma notícia claramente falsa e era uma notícia que exigia que a Autoridade Monetária dissesse ‘isto não é verdade’, e acalmava os mercados. Ao não fazer isso, permitiu que, de facto, essa informação se multiplicasse através da imprensa, e provocasse o que provocou nas bolsas”.

 

De acordo com a edição ‘online’ da revista Forbes, a maior perda foi sentida por Sheldon Adelson. O homem forte da Las Vegas Sands viu a fortuna pessoal diminuir 2,4 mil milhões de dólares americanos entre segunda e sexta-feira da semana passada.

 

Segundo o diário de Hong Kong, o valor máximo que os titulares de cartões da Union Pay podem levantar diariamente nos multibancos de Macau, 10 mil yuan, iria ser reduzido para metade.

 

O South China Morning Post disse ter contactado a Autoridade Monetária, mas a entidade reguladora não respondeu ao jornal.

 

A notícia foi desmentida pela própria Union Pay ainda na manhã de sexta-feira, e a Autoridade Monetária, que também foi contactada pela Rádio Macau, só reagiu ao final do dia.

 

Foi às 18:05 da passada sexta-feira que a entidade reguladora veio a público explicar que o valor máximo diário que pode ser retirado dos multibancos iria continuar a ser o mesmo. O que mudaria é o limite máximo de cada levantamento (não por cada dia) – 5 mil patacas ou dólares de Hong Kong de cada vez.

 

Para Albano Martins, com este caso fica uma vez mais demonstrado um problema que existe na Administração – o medo de tomar decisões:  “Não me parece que a Autoridade Monetária precise que o secretário [para a Economia e Finanças, Lionel Leong, que estava de visita oficial a Portugal] esteja cá para fazer uma notícia deste tipo, dado que tem um estatuto de autonomia relativamente grande e que lhe permite clarificar esse tipo de situações. É, mais uma vez, a amostra de que as decisões não são tomadas, provavelmente, por medo”.