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Escândalo Ao Man Long rebentou há dez anos
Terça, 06/12/2016

O maior escândalo de corrupção desde a transferência de poderes rebentou há dez anos. Ao Man Long, então secretário para os Transportes e Obras Públicas, foi detido. Um dia depois, a 7 de Dezembro de 2006, a notícia foi avançada pelo Chefe do Executivo, Edmund Ho, numa conferência de imprensa.

 

“O senhor secretário Ao Man Long foi detido pela polícia para colaborar com as investigações”, afirmou.

 

Edmund Ho revelou aos jornalistas que já tinha enviado para Pequim a proposta de exoneração de Ao Man Long, prontamente aprovada pelas autoridades centrais. O antigo Chefe do Executivo aproveitou ainda a ocasião para lamentar o caso.

 

“Claro que estou a sentir muito. Estou a sentir-me muito triste. É um membro do Governo que está a cometer um erro. Um erro que pode ser muito grave”, antevia Edmund Ho.

 

O Comissariado Contra a Corrupção, liderado na altura por Cheong U, foi responsável pela investigação. Desde o primeiro momento, ouviu-se a tese de que não existiam provas evidentes do envolvimento de mais trabalhadores da Administração.

 

Ao Man Long começou a ser julgado em Novembro de 2007, no Tribunal de Última Instância. Em Janeiro de 2008, acabou condenado a 27 anos de prisão efectiva por 57 dos 76 crimes de que era suspeito. A maioria estava ligada a corrupção passiva e branqueamento de capitais.

 

A Lei de Bases da Organização Judiciária deixou Ao Man Long sem hipótese de recurso. Um assunto que volta a estar em destaque, agora, com o caso Ho Chio Meng.

 

Depois do primeiro julgamento, surgiram os processos conexos, com a mulher, o irmão, o pai e a cunhada do ex-secretário a serem condenados, assim como vários empresários que foram beneficiados. Ao Man Long viu elevada a pena, primeiro, para 28 anos e meio de prisão e, depois, para 29 anos. Os tribunais provaram que foram praticados 90 crimes.

 

Durante o processo, a legalidade do meio de obtenção das provas foi questionada. Muita da acusação centrou-se na documentação encontrada na residência de Ao Man Long: os chamados "cadernos da amizade", onde eram anotados de forma codificada os montantes dos subornos que recebia. No momento da apreensão, o antigo secretário não estava presente nem tinha designado qualquer pessoa para o representar.

 

Os tentáculos deste processo chegaram a Hong Kong e também ao Reino Unido. Neste último caso, só no final do ano passado foi assinado um certificado com Londres para a restituição aos cofres locais do equivalente a 350 milhões de patacas, entre contas e um apartamento. Em 2014, o Ministério Público anunciou que tinha recuperado mais de 80 milhões de patacas.

 

Até hoje, o caso não está definitivamente fechado. Por exemplo, na página da Interpol com as pessoas mais procuradas pelas autoridades de Macau, todas estão relacionadas com o caso Ao Man Long. Tratam-se da mulher do ex-secretário, Camila Chan, e dos empresários Chan Lin Ian, Ho Meng Fai, Tang Kin Man e Pedro Chiang, que reside em Portugal.