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Colóquio: maioria concorda com desenvolvimento político
Quinta, 05/01/2012
O Governo já começou a ouvir a população sobre a revisão das leis eleitorais. Num colóquio dedicado a deputados e individualidades da área da política e da justiça, a maioria dos 50 participantes disse estar a favor do desenvolvimento do sistema político, ainda que de forma gradual.

Tsui Wai Kwan foi uma excepção. O deputado nomeado entende que, com o actual sistema, Macau tem seguido um bom caminho. “Com o sistema político previsto na Lei Básica, durante estes 12 anos conseguimos ter uma elevação da qualidade de vida, do nível do ensino, do nível económico. Isso mostra que o actual sistema político é eficaz. Sendo eficaz, por que há necessidade de o alterar? Alterar é sinómino de “bom”? O que é que as pessoas de Macau querem? Querem bem-estar, boa habitabilidade, querem ter um trabalho e uma casa para viver, e ver a qualidade de vida melhorada. Já andamos neste caminho há 12 anos, conseguimos proporcionar o sucesso da nossa sociedade, pelo que não percebo o porquê da necessidade de o alterar”, afirmou.

Mas a visão de Tsui Wai Kwan não é partilhada por vários outros participantes. A maioria considera que a realidade económica e social exige mudanças políticas. Uma das vozes a favor da reforma política foi a de Ieong Wan Chong, director do Centro de Estudos “Um País, Dois Sistemas”, para quem o desenvolvimento político do território “tem grande sentido”, devendo o mesmo acontecer de forma “sistemática e gradual”.

A ideia de que o desenvolvimento político tem de ser feito passo a passo, e de acordo com a Lei Básica, foi também defendida por vários outros intervenientes, como Lionel Leong, representante de Macau na Assembleia Popular Nacional. “O [desenvolvimento do] sistema político no caminho para a democracia não está errado, mas temos de respeitar sempre o princípio ‘Um país, dois sistemas’ e a predominância administrativa. Esse desenvolvimento tem de ter um ritmo que esteja de acordo com a realidade do desenvolvimento da realidade de Macau, porque uma sociedade não é democrática só para ser democrática”, afirmou, acrescentando que “diferentes sociedades têm diferentes características” políticas e sociais.

Tal como Lionel Leong, a maioria dos intervenientes no colóquio sublinhou que as especificidades de Macau não podem ser esquecidas. Por isso, foi defendido que as actuais metodologias têm de ser mantidas para a eleição legislativa, em 2013, e para a eleição do Chefe do Executivo, um ano depois. As mudanças, defenderam, devem acontecer apenas ao nível do número de deputados e dos elementos da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, como forma de garantir uma maior representatividade social.

No encontro, que decorreu no Instituto Politécnico de Macau, foi sublinhado várias vezes que, para haver revisão das leis eleitorais, é preciso ouvir-se toda a população e chegar-se a um consenso alargado.