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Juliana Devoy: “Casinos são íman para tráfico sexual”
Terça, 13/09/2016

Os casinos de Macau são um “íman” que atrai o tráfico humano e é preciso mais sensibilização para combater o problema, defendeu, hoje, a directora do Centro Bom Pastor, Juliana Devoy.

 

Pelo segundo ano, o MGM Macau abriu um dos salões ao Centro Bom Pastor, que organizou uma conferência para ajudar a perceber o tráfico humano, um problema global que, em Macau, tem uma ressonância particular, notou, em declarações aos jornalistas, Juliana Devoy: “A situação de Macau é única por causa dos casinos, que são um íman para o tráfico sexual. Não podemos evitar que aconteça, mas podemos ajudar”.

 

Juliana Devoy considera que tanto nos casinos como no Governo tem havido uma maior consciencialização: “Penso que tem havido progresso, mas ao mesmo tempo há muito por fazer. Há muitas iniciativas do Governo e de outros directores de casinos e hotéis, que estão a mostrar mais sensibilização e a tomar uma atitude em relação a este problema e a aperceberem-se da ligação que existe [entre casinos e o tráfico de pessoas]”.

 

Mas a sensibilização e a boa vontade, só, não chegam, considera Juliana Devoy, que aponta dificuldades específicas de Macau: “Aqui, a prostituição não é legal nem ilegal, o que quer dizer que é legal. Portanto, também é difícil para a polícia, que não pode actuar sem receber informação ou uma denúncia. Não podem simplesmente fazer rusgas em saunas e outros lugares”.

 

As dificuldades são ainda agravadas por uma cultura generalizada de silêncio: “Num lugar como Macau, as pessoas têm uma mentalidade de apenas se preocuparem consigo próprias. Não é assim tão óbvio que, no caso de suspeitarem de algo, elas façam uma denúncia à polícia. Mas com mais educação e sensibilização sobre o tráfico julgo que podemos mudar essa mentalidade”.

 

Juliana Devoy também defende uma maior sensibilização entre os próprios magistrados. Nestas declarações, a directora do Centro Bom Pastor reafirmou a necessidade de os juízes “receberem formação para poderem identificar um caso de tráfico”.

 

Um dos motivos que colocam Macau na lista dos territórios que não atingem padrões mínimos no combate ao tráfico humano é o reduzido número de casos que chegam a tribunal – este ano, até agora, não houve um único.

 

Segundo as estatísticas oficiais, em 2015 houve um caso que chegou a ser julgado, mas uma sentença, já este ano, considerou improcedente a acusação do crime de tráfico de pessoas.