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Sonny Lo: “Política em Hong Kong ficou mais complicada”
Segunda, 05/09/2016

As eleições para o Conselho Legislativo de Hong Kong, este domingo, significam uma “nova era” no movimento pró-democracia, com o afastamento de veteranos da ala democrata, e entrada de jovens que defendem um território mais autónomo ou mesmo independente.

 

Nas eleições legislativas mais participadas desde 2004 em Hong Kong, saiu reforçada a posição do sector mais radical do campo pró-democracia.

 

Quando ainda faltam apurar cinco assentos dos círculos profissionais, até agora, o campo democrata manteve o mesmo número da anterior legislatura – 27 – um número que ainda pode aumentar.

 

Sonny Lo, académico do Instituto de Educação do território, alerta em declarações à TDM que a política vai ficar mais complicada com o novo Conselho Legislativo: “A política em Hong Kong vai ficar mais complicada. Por um lado, alguns localistas entram para o Conselho Legislativo, para articularem os seus interesses e exigências. Por outro lado, outros localistas radicais ficaram de fora, remetidos a continuarem a fazer protestos e manifestações. Estas duas facções do campo radical deverão ter de coordenar-se e se o fizerem isso vai exercer uma grande pressão sobre o Governo de Hong Kong e o Governo Central”.

 

Nas primeiras eleições depois dos históricos protestos do “Occupy Movement” de há dois anos, vários candidatos que defendem a independência de Hong Kong conquistaram um lugar no Conselho Legislativo.

 

O “Legco” continua, todavia, a ter uma maioria simples de deputados pró-Pequim e o campo democrata continua a representar um terço dos assentos, ou seja, mantém o poder de veto.

 

Analisando o possível campo de acção dos mais radicais no novo Conselho Legislativo, Sonny Lo considera que a independência e o futuro de Hong Kong serão temas sensíveis: “Julgo que os localistas vão lançar uma batalha em duas frentes. Primeiro, pressionando o Governo de Hong Kong e Pequim a levaram a cabo mais reformas constitucionais. Segundo, mais cedo ou mais tarde, vão pressionar o Governo de Hong Kong e o Governo Central a falarem sobre o futuro do território, sobretudo depois de 2047. Estas duas frentes de batalha vão ser duras e ainda é incerto como o Governo de Hong Kong e Pequim vão lidar com estas questões”.

 

Neste comentário às eleições legislativas de Hong Kong, que ficam marcadas pela saída de cena de veteranos democratas, Sonny Lo diz que a velha geração continua a ter um papel importante: “Por um lado, podemos esperar que, entre a nova geração de democratas, levem algum tempo a adaptarem-se uns aos outros, a formarem alianças ou coligações. Por outro lado, a geração mais velha de democratas que saiu de cena vai servir como uma espécie de ponte, um intermediário entre a nova geração e, possivelmente, o Governo Central”.

 

Mas para o curto prazo, Sonny Lo antevê um período de namoro entre o Governo de CY Leung e os democratas: “Julgo que a breve trecho pode haver uma lua-de-mel entre o novo Conselho Legislativo e o Governo de Hong Kong, porque o Governo vai estar sob pressão de Pequim para mostrar que pode trabalhar com os deputados numa séria de políticas. Podemos esperar essa lua-de-mel desde Outubro, quando começa a nova sessão legislativa, até Fevereiro, quando começa a campanha para o novo Chefe do Executivo”.

 

Lee Cheuk-yan, um dos deputados pró-democracia que perdeu o lugar ao fim de mais de duas décadas, considerou, citado pela Reuters, que se abriu uma “nova era” em Hong Kong, já que as “pessoas querem mudança e isso implica rostos novos”.

 

Na reacção aos resultados por parte dos candidatos mais radicais, o Governo de Hong Kong afirmou que vai procurar fazer com que assumam posições mais moderadas.

 

O “LegCo” é composto por 70 lugares, mas apenas 35 resultam de candidaturas apresentadas individualmente por cidadãos e do voto directo de 3,77 milhões de eleitores, em cinco círculos eleitorais definidos por áreas geográficas.

 

Outros 30 lugares são reservados a círculos eleitorais definidos com base em sectores profissionais e corporativos - que vão desde áreas como a agricultura e pescas, à saúde e direito – que estão divididos em 28 categorias.

 

Os cinco lugares restantes – conhecidos como ‘super assentos' – constituem um híbrido dos dois sistemas.

 

Os candidatos são previamente escolhidos nas eleições distritais, tendo depois de obter o apoio de, pelo menos, 15 conselheiros distritais, antes de finalmente serem submetidos ao voto de quase todos os eleitores, à excepção dos que votam nos círculos profissionais e corporativos.

 

As eleições deste domingo tiveram uma participação recorde de 58 por cento – a mais elevada desde 2004 –, correspondendo a aproximadamente 2,2 milhões de eleitores.