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Silvério diz-se insultado com planos para Complexo Olímpico
Quinta, 30/06/2016

“O insulto final” ao legado de Manuel Silvério. É assim que o antigo presidente do Instituto de Desporto comenta o projecto de construir habitação pública no Complexo Olímpico de Macau.

 

Silvério está contra a demolição de parte das instalações e fez saber isso numa carta enviada ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, e ao secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário.

 

Em declarações à Rádio Macau, Manuel Silvério lamenta que, depois das suspeitas de corrupção levantadas a propósito da organização de grandes eventos desportivos, se recorra agora a uma ideia que considera insultuosa: “Depois de tantas e tantas suspeições que se lançaram sobre quem levou a cabo os Jogos da Ásia Oriental e os Jogos da Lusofonia, levantaram tantas suspeitas de corrupção sem que nada tivesse sido provado, este seria o insulto final para mim e para toda a equipa com que eu tive imenso gosto de trabalhar. Isto é apagar a história. Quem com ela não aprende arrisca-se a vê-la repetida. A diferença entre o génio e a estupidez é que o génio tem limites. Comprovado, uma vez mais, neste caso”.

 

Na base da indignação de Manuel Silvério, que presidiu às comissões organizadoras dos Jogos da Ásia Oriental, em 2005, dos Jogos da Lusofonia, em 2006, e dos Jogos Asiáticos em Recinto Coberto, em 2007, está o projecto de demolir o silo automóvel do Complexo Olímpico, para construir habitação social: “Demolir o silo automóvel que já é exíguo para os utentes daquelas instalações desportivas, colocar dentro do coração deste Complexo Olímpico prédios para habitação pública julgo que é não dar paz a ninguém, às pessoas que vão ocupar essas casas sociais, aos utentes das instalações desportivas.

 

Nestas declarações à Rádio Macau, Silvério defendeu que os terrenos em frente ao aeroporto, para os quais estava projectado o La Scala, e que reverteram para o Governo, são suficientes para albergar o número de habitações públicas planeadas para o Complexo Olímpico.

 

O projecto de habitação pública previsto para o Complexo Olímpico, na Taipa, conta também com a oposição de alguns membros do Conselho do Planeamento Urbanístico.

 

Além do impacto em termos de densidade urbana, há a preocupação, entre, pelo menos, três conselheiros, de a altura edifício (que pode ir até aos 90 metros), significar um desvio aos padrões internacionais seguidos pelo estádio e piscina olímpica.

 

O projecto de habitação pública prevê ainda 350 lugares de estacionamento para carros e 250 para motas.