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AL culpa Governo e arquitecto por atrasos no novo hospital
Quarta, 29/06/2016

Quase tudo podia ser diferente em relação ao complexo hospitalar das Ilhas. Os Serviços de Saúde podiam ser mais directos em relação àquilo que querem. E podiam também ter só pedido o projecto quando já sabiam, ao certo, o que queriam. Também os dez serviços públicos chamados a emitir pareceres podiam ser mais competentes. E o arquitecto podia fazer as alterações a tempo. Podiam – mas não fizeram, diz Ho Ion Sang, presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas da Assembleia Legislativa, que fiscaliza o projecto.

 

A responsabilidade por não haver um novo hospital até 2019 é de todos. “Várias partes deviam assumir a sua responsabilidade sobre isto. Por exemplo, a parte do utente [Serviços de Saúde] que devia manifestar as suas opiniões de forma mais clara, bem como os serviços que têm de ser ouvidos – também não deviam ter falhado nos seus pareceres. [Há também o facto de] o projectista ter falhado ou esquecido, não ter cumprido todas as alterações propostas às plantas”, critica Ho Ion Song.

 

O impasse faz com que o Governo diga que é impossível falar em datas e em custos. Os deputados conseguiram, no entanto, um valor: a primeira estimativa, feita em 2010, aponta para 10 mil milhões de patacas. Mas está já desactualizada – a começar pelos serviços de consultoria, avaliados em, pelo menos, 190 milhões de patacas e que se serviram, sobretudo, para rever o projecto desenhado por Eddie Wong, que é também membro do Conselho Executivo.

 

O contrato foi entregue ao arquitecto, sem concurso público, por 235 milhões de patacas, em 2013. O director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, desvaloriza as alterações feitas ao projecto, ainda na fase de concepção: “Não houve problema com a planta em si. Muitas vezes, é impossível a primeira versão ser do agrado de todas as partes. Há-de haver problemas porque temos que ouvir mais de 10 serviços públicos”.

 

Os Serviços de Saúde foram uma das entidades a pedir alterações. Com base nos estudos de consultoria, decidiram, por exemplo, aumentar o número de camas de 800 para 1200.

 

Até ao momento, o Governo gastou, pelo menos, 1,4 mil milhões de patacas com o novo hospital. Apenas as fundações estão, em parte, construídas.