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Hotel Estoril sem Siza é uma "oportunidade perdida"
Sábado, 11/06/2016

O jornalista e comentador, Carlos Morais José, considera que o retrocesso no convite exclusivo ao arquitecto Álvaro Siza Vieira para a requalificação do Hotel Estoril só aconteceu por ele ser português. No programa de análise política, Contraponto, Carlos Morais José lamentou o que considera ser uma oportunidade perdida para Macau.

 

 “Eu tive pena que tivesse sido o Siza Vieira porque ele é português e já sabia que isto ia dar nisto. Porque se ele fosse francês não ia dar nisso (...) não me perguntem porque, mas acho que é mais fácil atacar um português, é quase óbvio: ‘lá estão os portugueses’. Este discurso pega. É pena o Alexis Tam ter convidado o Siza e não outro arquitecto, porque isto é uma oportunidade perdida neste sentido”, afirmou Carlos Morais José.

 

Frederico Rato concorda com esta opinião de que pesou o facto de Álvaro Siza Vieira ser português. O comentador sublinhou ainda que a pressão exercida sobre o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, deve ter ido além da Associação dos Arquitectos. “Não acredito que a associação tenha força política para impedir ou para fazer retroceder o convite ao arquitecto Siza Vieira. Portanto, eu penso que esta pressão, que se percebeu nitidamente das palavras do secretário, vem ‘upa upa’. Mas é um ‘upa upa’ local ou um ‘upa upa’ mais ‘upa’? Francamente não sei, mas que foi uma pressão muito grande, foi. E que foi eficaz, também foi.”

 

Outro comentador, José Sales Marques, disse ter ficado “entristecido” com a situação, porque se deitou fora a “oportunidade” de Macau vir a ter um “edifício iconográfico” que “até poderia eventualmente atrair a atenção dos interessados pela arquitectura”,  como, por exemplo, revistas da especialidade.

 

Alexis Tam decidiu voltar atrás na ideia de adjudicar de forma directa a obra do antigo Hotel Estoril ao arquitecto Álvaro Siza Vieira, vencedor de um prémio Pritzker. Entretanto, esta semana, o arquitecto português disse ter aceitado com “naturalidade” a decisão do Governo de entregar o projecto através de concurso público.