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Lisboa adia decisão sobre transladação de Camilo Pessanha
Quarta, 18/05/2016

A comissão parlamentar portuguesa de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto pretende conhecer melhor os motivos do pedido de trasladação dos restos mortais do poeta Camilo Pessanha, de Macau para o Panteão Nacional, em Lisboa, antes de dar um parecer final.

 

A presidente da comissão, a socialista Edite Estrela, afirmou que Camilo Pessanha (1867-1926) foi “um grande poeta, nomeadamente do simbolismo” e “justifica-se” a trasladação para o panteão nacional. No entanto, alertou para a necessidade de se encontrar uma estimativa dos custos, antes de o parecer ser entregue à conferência de líderes parlamentares.

 

Edite Estrela recordou que, na XII legislatura (2011-2015), a Academia Nacional de Belas Artes propôs a trasladação de Passos Manuel (1801-1862), que, entre outras funções, foi ministro do Reino de D. Maria II, em 1836, tendo esta sido “adiada” tendo em conta "os elevados custos [50 mil euros] e a contenção orçamental”.

 

A deputada socialista Gabriela Canavilhas defendeu que o túmulo do poeta em Macau “é um marco da presença e da memória portuguesas”, acrescentando que “o túmulo é algo de tangível”, e rematou: “Não me parece, absolutamente, imprescindível” a trasladação para o Panteão Nacional, em Lisboa.

 

Canavilhas defendeu, em contrapartida, um investimento do Estado português no “aumento da sua visibilidade, mantendo o túmulo nas diferentes rotas e tornar o poeta mais conhecido em Macau”.

 

“É um melhor serviço do que a trasladação”, enfatizou.

 

Pela mesma linha de pensamento argumentou a deputada do CDS/PP Teresa Caeiro, que considerou ainda a necessidade “de haver um maior envolvimento sociocultural para que esta trasladação ocorresse”.

 

“Era necessário que houvesse uma dinâmica maior”, argumentou a deputada centrista.

 

Pedro Pimpão, do PSD, e Diana Ferreira, do PCP, argumentaram que deve “ser melhor conhecida a fundamentação”.

 

Edite Estrela alertou os deputados para a possibilidade do estado em que se encontra o túmulo do autor de "Viola chinesa", poder estar na origem deste pedido de trasladação.

 

Antes de dar o seu parecer, a comissão parlamentar quer conhecer o documento que propõe a trasladação dos restos mortais do autor de “Clepsidra”, cujos subscritores não foram desvendados, ouvir o Instituto Cultural de Macau e a Academia de Ciências de Lisboa.