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Instituto Ricci muda-se para Universidade de São José
Quarta, 04/05/2016

É oficial. A Universidade de São José (USJ) abre as portas ao Instituto Ricci, que, até ao final do ano, entrega as chaves da actual sede ao Governo. A mudança de instalações – da Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida para o novo campus da USJ Ilha Verde – faz parte de um protocolo, assinado hoje entre as duas instituições e que prevê a integração da biblioteca dos jesuítas.

 

É esta a dimensão “prática” do acordo, como explica Peter Stilwell, reitor da USJ, e que tem que ver com a “necessidade que o Instituto Ricci tem de encontrar onde abrigar a sua biblioteca. Vão ter de sair da sua sede, vão ter de encontrar um lugar para a biblioteca. Nós estamos a constituir a nossa biblioteca universitária, que já é bastante rica, mas que, de modo algum, se pode parecer com a riqueza da biblioteca Ricci, no campo específico das tradições chinesas e da Igreja na China”. Stilwell diz ainda que a integração será feita “sem que haja confusão” entre os dois acervos, mas “permitindo que os investigadores trabalhem no mesmo espaço”.

 

O Instituto Ricci sai da zona da Praça do Tap Seac  a pedido do Governo, proprietário do imóvel de traça colonial, conforme avançou na sexta-feira o jornal “O Clarim”.

 

A mudança de instalações está agendada para o próximo ano lectivo, data em que está prevista a inauguração do campus da USJ, na Ilha Verde. Quando exactamente, Peter Stilwell diz que vai depender da velocidade dos trabalhos e do tempo que demorar a emissão da licença de utilização. Até lá, o reitor da universidade garante que o Governo vai ser flexível já que “não quer prejudicar, de modo algum, um património tão importante como aquela biblioteca” e “tem procurado ajudar naquilo que pode para que a transição se faça de uma forma suave”.

 

Desconhece-se, por enquanto, qual o destino que o Governo pretende dar ao imóvel arrendado ao Instituto Ricci pelos Serviços de Finanças.

 

Peter Stilwell defende ainda que o facto de o Executivo querer recuperar o edificio não diminiu a presença jesuíta em Macau. A passagem para a USJ “dá-lhe projecção porque insere o Instituto no espaço do ensino superior, o que significa que pessoas que queiram fazer doutoramentos ou investigação terão mais facilidade em obter bolsas, se vão trabalhar num espaço de ensino superior que lhes pode dar o diploma do trabalho que estao aqui a realizar”.

 

Luís Sequeira, fundador do Instituto Ricci, fala numa evolução para os estudos chineses desenvolvidos pelos jesuítas em Macau e diz que as duas partes saem a ganhar do acordo. “É um dar e receber mútuo. Nós trazemos uma pequenina especialidade em estudos chineses, o que significa esta interculturalidade, este contexto China, Ocidente e Europa, que a universidade não tinha como tal. Por outro lado, para nós, estar inserido numa universidade é também uma riqueza e uma fortaleza”. 

 

Luís Sequeira admite que a parceira com a USJ poderá ser uma boa notícia para o projecto de tradução da “Acta Pekinensia”, um manuscrito de 1400 páginas, que abarca um dos períodos mais interessantes da missão jesuíta na China. Há já um volume de 600 páginas em inglês. Falta o resto.