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Estudo revela população sensibilizada para a reciclagem
Terça, 03/05/2016

A maioria dos residentes de Macau está disposta a fazer a separação de resíduos sólidos em casa, se esse fosse um pedido do Governo, e também aceitaria pagar por um sistema de gestão da reciclagem.

 

São conclusões de um estudo que revela uma atitude positiva da generalidade da população sobre uma questão considerada “urgente”.

 

No estudo, que avalia as atitudes dos residentes de Macau sobre o tratamento do lixo, os autores Song Qinbin e Wang Zhishi, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, e Li Jinhui, da Universidade Tsinghua, de Pequim, observam que “Macau enfrenta actualmente uma necessidade urgente de lidar com um volume crescente de resíduos sólidos”.

 

Conforme se salienta na pesquisa, a quantidade de resíduos sólidos tem aumentado com a população e o desenvolvimento, passando de 232,726 toneladas em 2001 para 397,738 em 2013.

 

A boa notícia é que, de acordo com o estudo publicado no número 31 da revista Procedia Environmental Sciences, a população de Macau “tem uma relativamente boa consciência ambiental”.

 

Segundo o estudo feito com base em entrevistas pessoais conduzidas em 250 agregados familiares, “87,4 por cento dos inquiridos já participaram em actividades ambientais”, indicador do grau de sensibilização.

 

A larga maioria dos residentes deste estudo, 95,7 por cento, diz-se “disponível para separar o lixo em casa, se o Governo assim requerer”.

 

Mas é igualmente elevado o número dos que se dizem dispostos a pagar pela reciclagem. Confrontados com a questão sobre se aceitariam fazer pagamentos pela reciclagem de resíduos, 85,4 por cento disseram “sim”, enquanto 14,6 por cento disseram “não”. Em termos de valor, a média mensal a que o estudo chegou é de 38,5 patacas.

 

Partindo do número de agregados familiares existentes em Macau, os investigadores concluem que poderiam ser gerados anualmente entre 70 mil milhões a 88 mil milhões de patacas, um montante que “pode ser usado como referência para criar um regime de pagamento de conservação e determinar o financiamento total necessário para promover a reciclagem de resíduos sólidos em Macau”.

 

Apesar de este estudo dar conta de uma atitude positiva da generalidade da população em relação à reciclagem, sobre este tema, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, admitiu em Fevereiro, na Assembleia Legislativa, que o plano de reciclagem para o território falhou e que não sabe como melhorar as campanhas de sensibilização.

 

Numa resposta à deputada Chan Hong, que indicou que a “taxa de reciclagem é desproporcionada em comparação com o avolumar do lixo e o desenvolvimento económico”, Raimundo do Rosário considerou ainda que não era necessário criar uma lei sobre a recolha e separação do lixo, preferindo “reforçar a sensibilização”.

 

Segundo se lê no estudo, a vontade da população é fundamental para o sucesso de medidas ambientais que passem pela reciclagem: “Se o Governo de Macau quer implementar medidas efectivas e construir instalações adequadas para resolver as questões dos resíduos sólidos, a disponibilidade dos consumidores em participarem nas actividades de reciclagem é essencial, pois sem ela, nem as medidas governamentais, nem a participação por parte dos produtores pode ser efectivamente posta em prática”.

 

Neste sentido, os responsáveis pelo estudo defendem que há uma “necessidade imperiosa de fazer pesquisas sobre os comportamentos, atitudes e a vontade de pagar por serviços de reciclagem por parte dos residentes de Macau”.