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Português em Macau: balanço positivo de Malaca Casteleiro
Terça, 12/04/2011
Malaca Casteleiro traça um balanço muito positivo dos quase 30 anos que leva a ensinar português em Macau.

“Eu criei uma empatia muito grande com Macau, tenho aqui muitos amigos e se tivesse que escolher uma terra para viver, além de Portugal, escolheria Macau. Porque me sinto aqui muito bem e sinto que sou útil à língua portuguesa e à promoção da língua portuguesa. E ao contrário do que muita gente previa ou dizia, eu sempre acreditei na continuidade da língua e da cultura portuguesas aqui no território”, disse o professor aos jornalistas, à margem dos Colóquios da Lusofonia, que hoje arrancaram no Instituto Politécnico de Macau.

Desde 1982 que o linguista vem todos os anos a Macau para participar em acções de formação de professores, leccionar cadeiras do curso de mestrado na Universidade de Macau e, mais recentemente, como examinador externo do Instituto Politécnico de Macau para a área da língua portuguesa.

Malaca Casteleiro justifica a continuidade do Português e da cultura portuguesa em Macau com o empenho das autoridades da República Popular da China e da RAEM.

“Os próprios chineses, incluindo as autoridades de Macau, estão particularmente empenhados na promoção da língua portuguesa, como uma forma de intercâmbio no domínio das relações comerciais, económicas e culturais com os países de língua portuguesa,que são oito - 240 milhões de falantes espalhados pelos quatro continentes ”, afirmou o professor.

Malaca Casteleiro é um dos muitos participantes dos Colóquios da Lusofonia, um evento que até sexta-feira vai debater o passado, o presente e o futuro da lusofonia em Macau. Um dos temas em foco é o acordo ortográfico.

Considerado o pai do acordo ortográfico – uma ideia que ganhou forma em 1990 mas que só agora começa a ser implementada –, Malaca Casteleiro defende que a RAEM deve ratificar o acordo para dar ainda mais unidade à lusofonia e também para facilitar a aprendizagem das crianças – “é muito mais fácil para elas aprenderem a escrever ‘óptimo’ sem ‘p’, ‘director’ sem ‘c’, isto é, consoantes que não articulam”.

Malaca Casteleiro vê com bons olhos a ajuda da China na promoção da língua portuguesa, até porque Portugal vive problemas que não permitem um maior investimento nessa promoção. “Portugal infelizmente encontra-se numa situação económica e financeira muito complicada. E, portanto, os recursos de que dispõe não ajudam à promoção da língua portuguesa no estrangeiro. Felizmente que a China o está a fazer com os seus próprios meios, formando os seus próprios professores e investindo realmente no ensino da língua portuguesa.”