Em destaque

18 de Abril de 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9,1616 patacas e 1,1296 dólares norte-americanos.

 

Deputados duvidam que Chui Sai On termine metro e hospital
Quarta, 20/04/2016

Nem metro, nem hospital. Há deputados que duvidam que duas das maiores obras públicas fiquem prontas dentro do mandato do Chefe do Executivo, Chui Sai On, que termina em 2019. Os atrasos e derrapagens nos projectos do Governo voltaram a marcar o período antes da ordem do dia da Assembleia Legislativa.

 

Chan Meng Kam fez duras críticas às negociações entre o Gabinete de Infra-estruturas e Transportes (GIT) e a Mitsubishi. Diz o deputado que é altura de lembrar que o dono do projecto do metro ligeiro é o Governo e não a empresa, sob pena de a obra se tornar  “uma anedota ainda maior”. É que  para Chan Meng Kam a história do metro ligeiro – da compra de carruagens ao fim do contrato com a construtora da oficina – é já surreal.

 

“Perante estes episódios surrealistas na construção do metro ligeiro, se o Gabinete continuar com esta falta de profissionalismo, fugir às responsabilidades e não for decisivo, encarregando alguns empreiteiros de representar os interesses do proprietário, serão graves as vicissitudes do metro ligeiro”, avisa o deputado, que também faz parte do Conselho Executivo.

O deputado alega que a Mitsubishi pode fazer atrasar a construção do projecto para ganhar mais dinheiro. A empresa fornece as carruagens que têm de ficar armazenadas até serem usadas, o que já terá valido 700 milhões de patacas.

Irónico, o deputado diz q ue o GIT “deve estar cheio de dinheiro” para continuar a comprar carruagens apesar de ainda não haver metro. Chan Meng Kam tem dúvidas que em 2019, a última data avançada pelo Governo para o arranque do projecto, seja cumprida e fala em desperdício de dinheiro com a oficina do metro na Taipa: “A concessionária efectuou remediações, às escondidas, mas não há segredo eterno e acabarão por ser reveladas. Mas que maravilha! (...) Se reabertura do concurso não tiver lugar até Junho, e ainda com as “dificuldades” inerentes aos materiais e sistema, só Deus sabe se o metro ligeiro pode começar a funcionar em 2019”.

 

O consórcio responsável pela construção do parque de oficinas e materiais do metro ligeiro, formado pelas empresas Top Builders e Mei Cheong, falhou o prazo para a conclusão da obra e perdeu o contrato. Foi ainda multado e obrigado a devolver 68 milhões de patacas ao Governo, que avançou com 120 milhões de patacas. A empresa teve ainda de desistir dos processos judiciais contra a Administração.

Também sem fim à vista, diz Wong Kit Cheng, parece estar a construção do hospital das Ilhas. A deputada critica a demora na abertura dos concursos para a execução da obra e de isto servir de argumento para o Governo adiar a divulgação do orçamento da obra.

 

Wong Kit Cheng está céptica: “Trata-se do empurrar de responsabilidades de uns para os outros. A conclusão das obras estava prevista para 2017 e, agora, ‘vai lutar-se pela sua conclusão em 2018 ou 2019’. Duvida-se da sua conclusão em 2019”.

 

A deputada aponta ainda o dedo ao Governo por ter alargado o horário de funcionamento dos centros de saúde sem contratar mais pessoal. O resultado, diz, foi fazer com que haja médicos a trabalhar hoje mais quatro horas por dia.