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Governo cria centro de avaliação mas serviços já existem
Sexta, 15/04/2016

O Governo anuncia a criação de um centro de avaliação para crianças com deficiência entre este ano e o próximo. Mas o serviço é o que já funciona no hospital público. A diferença é que passa a incluir os técnicos do Instituto de Acção Social (IAS) e dos Serviços de Educação que também já trabalham nesta área. A contratação de pessoal está, por enquanto, fora dos planos.

 

O Planeamento dos Serviços de Reabilitação, em consulta pública até 30 de Maio, avança com 366 medidas, mas nenhuma resolve o principal problema. O programa antecipa uma redução do tempo de espera pelo diagnóstico, mas não prevê, para já, um reforço dos especialistas que fazem a avaliação de crianças com problemas de desenvolvimento.

 

Choi Siu Un, do Instituto de Acção Social, rejeita que o programa seja apenas uma reciclagem do que já existe. “Para qualquer projecto novo, é preciso desenvolver com base nas coisas existentes. Alguns projectos já estão a ser desenvolvidos, procuramos melhorar”, diz o Chefe de Departamento de Solidariedade Social.

 

É o caso do centro de avaliação integral para crianças, proposto no plano Governo, que já funciona no Centro Hospitalar Conde São Januário, embora não tenha este nome. Aos médicos especialistas vão juntar-se os terapeutas, técnicos de ensino especial e assistentes sociais que já trabalham com o Governo. Choi Siu Un garante que o plano vai reduzir o tempo de espera e trazer melhorias ao sistema de avaliação infantil. Mas pede calma: “É preciso ter paciência. Os pais estão sempre preocupados com o período de avaliação. Os pais querem um diagnóstico, uma avaliação, rapidamente. Compreendemos, mas isso tem que ver com o nosso trabalho no futuro”.

 

A ideia do Governo é que, com o “centro ‘one stop’ de avaliação geral para crianças”, o trabalho seja mais rápido e encurte o tempo entre a detecção de casos e o acompanhamento por parte dos serviços. Choi Siu Un diz que o IAS, os Serviços de Saúde e os Serviços de Educação vão “mobilizar de modo adequado” pessoal para o centro de avaliação. “Quando necessário”, haverá um “reforço” de recursos humanos. Chou Siu Un garante, no entanto, que qualquer criança com problemas de desenvolvimento recebe o apoio necessário, antes mesmo de haver um diagnóstico. Só que o resultado pode demorar mais de um ano.

 

O actual sistema é também criticado por terapeutas. No caso do autismo, por exemplo, a avaliação deve ser feita por uma equipa multidisciplinar – o que não acontece em Macau.

 

Em 2014, o hospital público tinha apenas psicólogos clínicos. Faltavam cinco tipos de profissionais, como terapeutas ocupacionais ou da fala.

 

O plano de serviços de reabilitação faz referência a um concurso para formação de 200 médicos especializados entre 2014 e 2018. A matéria é da competência dos Serviços de Saúde e Choi Siu Un diz não ter informações.

 

O responsável do IAS garante, no entanto, que “há projectos completamente novos”, como a oferta de serviços de reabilitação no Centro de Saúde do Carmo, na Taipa. E isto, destaca Choi Siu Un, é “só um exemplo”. Está também prevista a interpretação de linguagem gestual em alguns programas de televisão e a criação de normas contra barreiras arquitectónicas em obras públicas ou financiadas pelo Governo.