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Júlio Pereira: terrorismo torna as sociedades "menos livres"
Terça, 12/04/2016

Os indivíduos e as sociedades a nível mundial estão menos livres e mais condicionados em consequência do fenómeno do terrorismo, entende o Procurador-Geral Adjunto de Portugal, Júlio Pereira. Numa conferência na Fundação Rui Cunha intitulada “A resposta Penal à Ameaça Terrorista”, Júlio Pereira constata que as pessoas estão com medo.

 

“Vamos perdendo liberdade, que não é uma palavra, é a nossa autonomia para, sem qualquer tipo de restrição, fazermos aquilo que legalmente podemos fazer ou deixar de fazer. E hoje as pessoas, em muitos sítios, têm medo de ir a determinados locais, a determinadas cidades, ou se vão para um aeroporto procuram evitar sítios com concentração de pessoas, olham desconfiadas para determinados perfis, as praias no Mediterrâneo em muitos países estão completamente vazias. E isto representa perda de liberdade, porque as pessoas já não fazem aquilo que, em princípio, gostariam de fazer”, observou o antigo alto-Comissário Adjunto Contra a Corrupção e a Ilegalidade Administrativa de Macau.

 

Júlio Pereira defendeu também o carácter único do terrorismo jihadista face a outros fenómenos terroristas do século passado. “É completamente diferente. Em primeiro lugar, não busca qualquer tipo de reconhecimento. Se nós verificarmos o que se passa hoje, por exemplo, com o grupo Estado Islâmico, que combate toda a gente: os cristãos por serem infiéis, especialmente alguns porque fazem parte de um coligação que está a bombardear as bases onde eles estão instalados, outros porque ocuparam as antigas terras do Islão, mas combatem também os países sunitas dirigidos por Governos apóstatas (...) É portanto um mega terrorismo que procura provocar o máximo de vítimas e ainda por cima tem uma invocação de índole religiosa”.

 

Nesta conferência, o Procurador-Geral Adjunto de Portugal considerou ainda que o risco de terrorismo em Macau “é escasso”. Uma posição que contraria a avaliação feita pela consultora Steve Vickers que concluiu que a existência em Macau de interesses chineses, americanos e judeus faz do território um potencial alvo para extremistas islâmicos.