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Investigação do CCAC foi desencandeada por queixa do MP
Domingo, 28/02/2016

A investigação do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) contra o antigo Procurador da RAEM, Ho Chio Meng, foi iniciada no primeiro semestre de 2015 na sequência de uma queixa do próprio Ministério Público.

 

Em conferência de imprensa, o Comissário Contra a Corrupção, André Cheong, referiu que se trata de uma investigação complexa, que envolve vários suspeitos e que pode ainda originar mais detenções e casos conexos.

 

O Comissário Contra a Corrupção revelou que para além de Ho Chio Meng estão também envolvidos o seu antigo chefe de gabinete, um assessor e vários empresários locais, dois dos quais são familiares de Ho Chio Meng.

 

Em causa estão obras e serviços adjudicados pela Procuradoria a estas empresas. Entre 2004 e 2014 estas obras ascenderam a um valor global de 167 milhões de patacas.

 

O CCAC, disse André Cheong, tem suspeitas que se tratam de empresas fantasma num esquema ilegal de concessões de mais de duas mil obras e serviços. Para o Comissario Contra a Corrupção os indícios de ilegalidades nestas adjudicações são claros.

 

“Estas empresas, durante os últimos dez anos têm vindo a conseguir todas as obras e serviços adjudicadas pelo Ministério Público. O Ministério Público tem realizado concursos públicos, mas estes concursos são sempre adjudicados às mesmas duas ou três empresas. Conseguimos assim apurar uma grande suspeição de corrupção e de conluio entre o dirigente, as chefias do Ministério Público e estas empresas”, afirmou André Cheong.

 

Para além da prisão preventiva aplicada a Ho Chio Meng, há quatro suspeitos que estão proibidos de sair da RAEM. André Cheong frisou que esta investigação não envolve outros magistrados nem tão pouco o exercício dos poderes judiciais, apesar de reconhecer que afecta a imagem da RAEM.

 

Ho Chio Meng foi detido na última sexta-feira, por volta do meio-dia, no Terminal Marítimo, já depois de ter passado a imigração. André Cheong ressalvou, no entanto, que o antigo Procurador já tinha sido ouvido anteriormente no âmbito da mesma investigação.

 

O Comissario Contra a Corrupção garante ainda que se trata de uma investigação independente e que o CCAC não recebeu ordens de ninguém.