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Transplantes de rins em Macau “num curto espaço de tempo”
Quarta, 03/02/2016

Em breve poderão vir a ser feitos transplantes de rins em Macau. A ideia existe há, pelo menos, quatro anos, mas ontem, na Assembleia Legislativa, o director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, afirmou aos deputados que os transplantes de rins podem arrancar “num curto espaço de tempo”.

 

Segundo o responsável, “esperamos, num curto espaço de tempo, iniciar os transplantes de rins, que é uma intervenção relativamente mais simples. Mas isto também depende da oferta de órgãos. Quanto à lavagem de rins, há 300 pessoas que precisam deste serviço, e parte dos doentes também está em condições de receber transplante de órgãos. Se houver familiares que estão dispostos, então esses doentes podem ser enviados à China ou a Hong Kong para o transplante de rins. Havendo rins para doar, podemos prestar esses serviços”.

 

Lei Chin Ion esteve na Assembleia Legislativa a acompanhar o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que foi ao hemiciclo responder a uma interpelação oral de Ella Lei sobre a doação de órgãos e a criação de um regime legal.

 

O transplante de órgãos é um procedimento que não se realiza em Macau, e o governante disse esperar ter concluído o trabalho legislativo relacionado com os transplantes “dentro de dois anos”.

 

Alexis Tam disse que “tem havido progressos” nos trabalhos, que, além da criação de um regime de dádiva de órgãos, vão passar também por um sistema central de registo para dadores e pacientes que aguardam transplante. Essa valência estará disponível no futuro hospital das ilhas, reiterou o Governo.

 

No âmbito da produção legislativa, de acordo com o secretário, os “grandes obstáculos estão ultrapassados”, mas persistem dificuldades, sobretudo de teor “técnico”.

 

O processo, explicou Alexis Tam, é complexo: “A definição de morte cerebral é um tema rigoroso e altamente científico, especialmente, por confluências mútuas entre os factores científicos e tecnológicos, de ética, cultura e religião, o que origina uma grande controvérsia quanto à definição de morte humana.

 

Por conseguinte, actualmente em Macau não há critérios ou regras para a confirmação de morte cerebral, pelo que não é autorizada a colheita de órgãos em dadores cadáveres. Relativamente à dádiva, colheita e transplante de órgãos de origem humana, uma vez que é necessário, entre outros factores, considerar o destino da dádiva, a existência ou não de beneficiário, as condições para a realização de transplantes, e não existindo actualmente na RAEM um mecanismo completo, assim sendo, os Serviços de Saúde não têm condições neste momento para a prestação deste serviço”.