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Cortes no Português: Fernanda Gil Costa desagradada
Quarta, 02/12/2015

A directora do Departamento de Português da Universidade de Macau reage com desagrado à decisão da instituição de ensino superior, que pretende acabar, no espaço do próximo ano e meio, com as aulas opcionais de língua portuguesa.

 

Ainda este ano lectivo, o departamento liderado por Fernanda Gil Costa deixa de poder ensinar português a cerca de 200 alunos, uma vez que, das actuais 18 turmas, passam a ser apenas dez. À Rádio Macau, a responsável diz não estar conformada com a decisão da Universidade e rebate o argumento que lhe foi dado para este corte.

 

“Já reagi com algum desagrado. Fiz saber aqui dentro da universidade – aos meus superiores imediatos – que, de facto, o departamento não está de acordo com as medidas que foram tomadas e que gostaria de poder continuar a dar resposta aos alunos que procuram o departamento. Este ano não vamos dar resposta a cerca de 200”, disse em declarações à Rádio Macau.

 

Fernanda Gil Costa admite que “o contra-argumento é forte”, mas rebate a fundamentação para a decisão. “Dizem-me que os alunos que vêm fazer Português como opção apenas um semestre não vão aprender Português nenhum, vão esquecê-lo imediatamente, mas muitos desses alunos, de facto, tiram mais. Tenho ali um enorme dossiê de respostas de alunos – que estão neste momento a frequentar Português 1 –, à pergunta se gostariam de continuar com o Português. Tenho ali a resposta de seis turmas, que me dizem que gostariam de continuar com o Português 2”, vinca.

 

Sendo a Universidade de Macau uma instituição financiada pelo Governo e sendo a língua portuguesa defendida como uma necessidade para o território, Fernanda Gil Costa diz não compreender a opção de redução do ensino de Português. “Aqui dentro a universidade não é bem tratada como uma universidade pública, é tratada como uma universidade público-privada”, afirma. “Aquilo que me disseram é que o orçamento para 2016 sofreu cortes. Suponho que estamos a ser alvo dos cortes – não digo que seremos os únicos –, mas é evidente que, quando me dizem que não posso ter tantas pessoas contratadas à hora para dar turmas de Português, vejo isso como um corte da oferta da língua portuguesa.”

 

A directora do Departamento de Português explica também que fica com uma situação complicada de gerir: a contratação de professores. “Em todos os primeiros semestres temos um número de turmas muito superior ao que temos nos segundos, por várias razões – uma delas é porque, no segundo semestre, os alunos do terceiro ano vão para Portugal e para o Brasil fazer intercâmbio”, contextualiza. “Com mais este corte, vou ter de dispensar uma série de pessoas que são pagas à hora e de que vou precisar outra vez no princípio do ano lectivo que vem, ou seja, em Agosto. Como neste momento há procura insistente de professores de Português por parte de várias instituições de Macau, aquilo que prevejo é que vou perder grande parte desses professores, que já tiveram alguma formação aqui, que contribuímos para formar, e que vão enriquecer outras instituições.”

 

Fernanda Gil Costa garante que vai continuar a insistir na necessidade de ensinar Português a mais alunos – e não só aos que frequentam cursos sob a alçada do departamento que dirige. Mas a directora do Departamento de Português está prestes a tomar uma decisão: demitir-se da subcomissão da Língua Portuguesa e Educação, criada no âmbito da Comissão Mista Macau-Portugal.

 

“Provavelmente vou dizer a Sou Chio Fai que vou abandonar a comissão porque, de facto, não estou a ver capacidade de resposta por parte da Universidade para a maior parte dos desafios que me pedem. Portanto, essa situação vai ter de ser revista a curto prazo, pelo menos pelo meu lado, porque acho que não estou a conseguir contribuir com aquilo que desejaria para essa comissão”, remata.