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Ricardo Salgado terá 30 milhões de euros em Macau
Sexta, 20/11/2015

Há indícios de que o ex-banqueiro português Ricardo Salgado terá transferido para Macau 30 milhões de euros. A notícia é avançada na edição de hoje do jornal português Sol.

 

De acordo com o semanário, os indícios de que haveria “património elevadíssimo” fora de Portugal levaram, de resto, as autoridades a defenderem a prisão domiciliária do antigo presidente do Banco Espírito Santo.

 

A transferência do dinheiro para Macau terá acontecido em Dezembro de 2013, oito meses antes do colapso do Banco Espírito Santo.

 

O Sol explica que este é um dos principais argumentos para fundamentar o perigo de fuga que, juntamente com o de perturbação de inquérito, ditou a prisão domiciliária de Ricardo Salgado, uma medida de coacção que acabou por ser substituída pelo pagamento de uma caução.

 

O semanário avança que os investigadores encontraram na agenda pessoal do antigo banqueiro várias inscrições que se julga serem relativas a transferências de dinheiro. Numa dela, lê-se “chegaram a Macau 30 milhões de euros”.

 

Confrontado em interrogatórios sobre estas anotações, Ricardo Salgado escudou-se no silêncio. Perante a insistência dos investigadores, acabou por admitir que “poderia dizer respeito a movimentos de clientes”, uma tese que não convence o Ministério Público, que aponta que resta então esperar por que razão é feita alusão a esta operação na agenda pessoal de Salgado.

 

Além deste alegado património em Macau, o ex-presidente do BES terá ainda duas contas abertas na Suíça.

 

De recordar que, em Agosto do ano passado, surgiu em Portugal a notícia de que Ricardo Salgado teria boa parte do dinheiro de que dispõe em Singapura. O Correio da Manhã dizia, na altura, que o ex-banqueiro possuía 30 milhões de euros em contas na cidade-estado, exactamente o mesmo valor que terá então transferido para Macau.

 

Ricardo Salgado está a ser investigado por suspeitas de burla, abuso de confiança, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. Foi indiciado por factos susceptíveis de integrarem, para já, seis crimes, mas as autoridades portuguesas dizem que o número de delitos que terá praticado está ainda por determinar.

 

O Banco Espírito Santo, entretanto transformado no Novo Banco, tem interesses em Macau, nomeadamente no antigo Banco Espírito Santo do Oriente, criado em 1995 e que, ainda no ano passado, em consequência do escândalo de corrupção, passou a chamar-se Novo Banco Ásia. Continua a ser a única estrutura do grupo com licença bancária universal na Ásia.