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Albano Martins: Postura do Governo é “super conservadora”
Quarta, 18/11/2015

Albano Martins discorda com a política orçamental apresentada nas Linhas de Acção Governativa para 2016. Para o economista, a postura do Executivo é “super conservadora”.

 

“Independentemente da queda das receitas dos casinos, o Governo continua a ter uma razoável almofada de superavit. Para o ano, o Governo está a ver o filme ao contrário. Numa situação de contracção a dois dígitos – nós vamos contrair cerca de 20 por cento, este ano –, a postura em 2016 não deveria ser contraccionista, mas sim expansionista, para dar à comunidade o sentido correcto”, defende Albano Martins.

 

Este ano, o valor do orçamento ficou acima dos 150 mil milhões de patacas. Em 2016, vai ser de cerca de 103 mil milhões, o que representa um corte de 30 por cento.

 

“O Governo tem de assumir que, em períodos de contracção, deve haver défice. Essa é a postura correcta. Períodos de contracção não são normais na economia de Macau. Ter um défice na vida não faz mal a ninguém, antes pelo contrário. O défice permite construir a procura e dinamizar a economia”, nota Albano Martins.

 

O Chefe do Executivo apresentou, ontem, as previsões das receitas. No próximo ano, os casinos devem gerar 200 mil milhões de patacas. Ou seja, a média mensal deve rondar 16 mil milhões de patacas.

 

“Há muitas dúvidas se vão ser esses os valores ou se os novos casinos vão gerar mais receitas. Mas o problema da política do Governo é que não permite que a percentagem de mesas seja definida pelos próprios casinos [aumento global é de três por cento, ao ano, até 2023], interferindo claramente na actividade. Isso pode afectar as receitas”, salienta Albano Martins.

 

O economista comenta ainda o facto de Chui Sai On ter, pela primeira vez, admitido que os preços do imobiliário são “muito elevados”. Sobre o projecto de lei de controlo das rendas, aprovado pela Assembleia na generalidade e que conta com o apoio do Governo, Albano Martins tem reservas.

 

“É muito estranho que o Chefe do Executivo, ao fim destes anos todos, acorde e tire a conclusão de que desde 2003 os preços aumentaram mais de 600 por cento. A renda não é mais do que o juro de um capital. Aqui, o capital é o valor do imóvel. Se o valor do imóvel está a cair, a renda vai ter de cair. Três por cento é valor máximo que os deputados querem de subida. Quando o mercado se inverter e subir de novo, os três por cento não vão funcionar. São os próprios homens do imobiliário que dizem. Como é o juro do capital, a panela de pressão vai rebentar. Se não rebentar por esse lado, pura e simplesmente, o mercado vai ser deslocado para a venda e deixam de existir casas para arrendar”, conclui.