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Durão Barroso: Passos Coelho deve ser primeiro-ministro
Quarta, 21/10/2015

Passos Coelho deve ser nomeado primeiro-ministro de Portugal, preconizou Durão Barroso na entrevista à Rádio Macau e Canal Macau. o antigo governante português lembra que, “até hoje, nunca aconteceu, em Portugal, que o Presidente da República não nomeasse primeiro-ministro o líder da formação política mais votada - partido ou coligação que ganhou as eleições”.

 

“Sempre foi assim. Era muito estranho que o Presidente da República em vez de nomear primeiro-ministro o líder do partido mais votado, fosse convidar o líder de um partido minoritário, que tivesse ficado em segundo ou terceiro lugar. Seria muito estranho na nossa tradição constitucional e na leitura que se faz da Constituição em Portugal”, argumenta Durão Barroso.

 

Nesta entrevista, e ainda sobre a actual situação política portuguesa, o antigo presidente da Comissão Europeia considera estranho que o PCP e o Bloco de Esquerda queiram participar na governação de Portugal.

 

“Esses partidos são completamente contra a União Europeia. Pelo menos um deles propõe que se revogue o Tratado de Lisboa. Os dois são contra o tratado orçamental, que é o tratado que hoje em dia é obrigatório para todos os países da zona euro. E não só da zona euro, praticamente todos os países da União Europeia. É muito estranho que esses partidos queiram participar na governação quando não aceitam, pelo menos até hoje não aceitaram, as condições de ser Governo na Europa da zona euro. Se entretanto se converteram é uma notícia interessante, mas é uma surpresa”, defende.

 

Sobre a crise económica portuguesa, Durão Barroso sublinha que o esforço que os portugueses fizeram foi notável e era importante que isso não fosse posto em causa por incertezas de carácter político ou outro. “Portugal ultrapassou essa fase, mas a situação não é completamente irreversível”, acrescenta. Para o antigo líder europeu, Portugal, a seguir à Grécia, continua a ser o país mais vulnerável.

 

Nesta entrevista aos canais portugueses da TDM, Durão Barroso diz não estar a pensar em regressar à vida política activa.

 

Na actualidade internacional, José Manuel Durão Barroso mostrou-se muito crítico quanto à intervenção da Rússia na Síria. O antigo governante português entende que é uma intervenção que preocupa, “já que, de acordo com muitos observadores, não está apenas a atingir as forças extremistas jihadistas, mas também a atingir as forças que estavam a fazer oposição ao regime de Assad, que é o regime que mais vítimas causou na Síria”.

 

“A estratégia de [Vladimir] Putin é o de afirmar o seu poder na Rússia, mantendo um aliado ou um regime aliado naquela região”, disse na entrevista aos canais portugueses da TDM, o antigo presidente da Comissão Europeia.

 

Durão Barroso recebeu, esta terça-feira, o título de professor coordenador honorário do Instituto Politécnico de Macau.