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ONU investiga doações da fundação de Ng Lap Seng
Quinta, 08/10/2015

As Nações Unidas vão investigar a doação de 1,5 milhões de dólares da fundação de Ng Lap Seng ao escritório de cooperação Sul-Sul da ONU. A informação foi avançada pelo porta-voz de Ban Kin-moon, que garante que o escritório “vai olhar de perto para onde foi o dinheiro e em que foi usado”.

 

Ng Lap Seng foi detido em Nova Iorque no mês passado, juntamente com o assessor, Jeff Yin, por causa de alegadas falsas declarações à polícia alfandegária norte-americana. Esta semana, o caso ganhou novos contornos: o empresário e o seu braço direito foram acusados de corrupção, num esquema que envolve funcionários da ONU, entre eles um antigo presidente da Assembleia Geral, John Ashe.

 

Ashe terá recebido de Ng Lap Seng meio milhão de dólares. A acusação diz que o empresário pretendia através de subornos conseguir construir em Macau um centro de convenções das Nações Unidas – uma ideia que foi, de resto, debatida numa conferência que se realizou no território em Agosto passado, mas da qual o Governo de Chui Sai On diz nunca ter ouvido falar. A acusação diz ainda que fazia parte dos planos de Ng Lap Seng apresentar o projecto do centro da ONU a 20 de Dezembro do ano passado, dia da tomada de posse do novo Executivo, com a presença do Presidente Xi Jinping em Macau.

 

Em Março deste ano, o grupo Sun Kian Ip ter-se-á comprometido a doar anualmente cinco milhões de dólares, ao longo de três anos, para um fundo fiduciário multi-parceiros da ONU que seria encabeçado pelo escritório de cooperação Sul-Sul. Já a fundação do grupo teria dado uma contribuição de um milhão e meio de dólares para o escritório Sul da ONU. Uma parte foi usada para financiar a conferência em Macau de Agosto passado.

 

Entretanto, ficou a saber-se que o grupo Sun Kian Ip não participa mais no Global Compact, uma iniciativa da ONU desenvolvida para mobilizar a comunidade empresarial internacional para boas práticas de negócios. A Sun Kian Ip participava no programa desde 2013, mas saiu em Abril deste ano por ter falhado um dos requisitos exigidos – não entregou o relatório anual por dois anos consecutivos.

 

Nas reacções ao escândalo na ONU, o actual presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, o dinamarquês Mogens Lykketoft, admitiu que "algumas empresas envolvidas em projectos de cooperação com a ONU tenham má conduta”. Há milhares de companhias neste tipo de projectos.

 

Lykketoft não quis no entanto responder sobre o impacto que o recente escândalo de corrupção pode causar no âmbito da nova agenda de desenvolvimento. O diplomata dinamarquês limitou-se a prometer colaborar com as investigações.