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Ng Lap Seng promoveu centro da ONU em Macau desde 2010
Quarta, 07/10/2015

Ng Lap Seng, o empresário de Macau detido em Nova Iorque desde meados de Setembro, vinha “a encorajar a construção” do centro de conferências das Nações Unidas em Macau “pelo menos desde 2010”, lê-se na queixa-crime do processo no qual foram acusadas, ao todo, seis pessoas, incluindo o ex-presidente da Assembleia-Geral da ONU, John Ashe, e um diplomata dominicano.

 

De acordo com a queixa-crime das autoridades norte-americanas Ng Lap Seng até chegou a dar um nome ao projecto que considerava o seu grande “legado”:  “Centro Internacional de Conferências Permanente para a Cooperação Sul-Sul das Nações Unidas”.

 

No documento de 37 páginas consultado pela Rádio Macau, a acusação fala  numa “brochura”, na qual o “centro multimilionário é proposto acolher, entre outras coisas, uma ‘Incubadora de Negócios Globais’”, com a missão de “servir de facilitador a governos e ao sector privado para construir a capacidade dos países da Cooperação Sul-Sul para alavancar a inovação e a criatividade na realização dos Objectivos do Milénio”.

 

Segundo a queixa-crime, foi a partir de Setembro de 2011 que John Ashe começou a “defender o desenvolvimento do Centro de Conferências das Nações Unidas em Macau”, uma campanha feita através de “cartas de apoio” que, alegadamente, eram compensadas por pagamentos de Ng Lap Seng feitos através de Francis Lorenzo, vice-representante permanente da República Dominicana nas Nações Unidas.

 

Mas a campanha oficial de John Ashe a favor do Centro terá começado a 24 de Fevereiro de 2012, quando o então embaixador de Antígua e Barbuda nas Nações Unidas apresentou um documento oficial da ONU no qual propunha “um centro de convenções e exposições permanente”.

 

No documento, diz a acusação, Ashe refere que a empresa de Ng Lap Seng, Sun Kian Ip Group, serviria de “representante para a implementação do projecto”.

 

A empresa de Ng também dá nome a uma fundação que, segundo o New York Times, fez uma contribuição ao Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul, em Maio, no valor de 1,5 milhões de dólares americanos, dinheiro que “em parte” serviu para realizar uma conferência em Macau, no passado mês de Agosto.

 

No evento, conta o New York Times, “vários enviados falaram na necessidade de construir em Macau o centro” proposto por Ng Lap Seng.

 

O Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul haveria mesmo de divulgar um comunicado de imprensa a apoiar a ideia, referindo que “os participantes no Fórum apelaram à criação de um centro permanente através de uma parceria público-privada”.