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Ng Lap Seng acusado de corrupção em caso que envolve ONU
Quarta, 07/10/2015

O empresário de Macau Ng Lap Seng foi acusado de corrupção pelas autoridades norte-americanas, num esquema em que está envolvido também um antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas. Ng Lap Seng já não terá de responder apenas por falsas declarações aos serviços de imigração dos Estados Unidos.

 

Foi por causa de alegadas falsas declarações acerca do destino de 4,5 milhões de dólares que Ng Lap Seng foi detido em Nova Iorque, no mês passado, mas esta detenção parece ter sido motivada por um caso com contornos bem mais complicados. As autoridades norte-americanas detiveram na noite desta terça-feira um antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, sendo que acusaram mais quatro pessoas que estarão também envolvidas no vasto esquema de corrupção.

 

A agência Reuters escreve que John Ashe, antigo embaixador da ONU do arquipélago de Antígua e Barbuda, é acusado pela justiça de Nova Iorque de ter recebido 1,3 milhões de dólares de subornos de empresários chineses – entre eles Ng Lap Seng. John Ashe foi presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas entre 2013 e 2014. O dinheiro terá sido gasto no pagamento da hipoteca de uma casa, em relógios Rolex e num BMW.

 

De acordo com o processo, Ng Lap Seng terá recorrido a intermediários para pagar 500 mil dólares a Ashe, para que o embaixador intercedesse junto do secretário-geral das Nações Unidas para a construção de um multimilionário centro de conferências em Macau patrocinado pela ONU. Entre estes intermediários estão um funcionário das Nações Unidas e duas pessoas de uma organização com sede em Nova Iorque, bem como o assistente de Ng Lap Seng – Jeff Yin terá dito, já depois de ter sido detido juntamente com o empresário de Macau, que o patrão olhava para o centro de conferências como “o seu legado” e “fez pagamentos nesse sentido”.

 

Entretanto, a acusação diz que a investigação ainda não foi dada por concluída e admite que mais pessoas dentro das Nações Unidas possam ser detidas. Também a fortuna de Ng Lap Seng – avaliada em 1,8 milhões de dólares – vai continuar a ser passada a pente fino.

 

Quanto a John Ashe, a justiça decidiu que tem de pagar um milhão de dólares para poder ficar em prisão domiciliária. O juiz responsável pelo processo tem receio de que saia dos Estados Unidos. O advogado do embaixador diz que vai recorrer e argumenta que o cliente tem imunidade, pelo que não pode ser acusado.