Em destaque

22 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.20 patacas e 1.13 dólares norte-americanos.

Lesados da Dore reclamam intervenção do Governo
Sexta, 18/09/2015

As pessoas que perderam dinheiro no desfalque da operadora de “junkets” Dore continuam a reclamar a intervenção das autoridades no caso e queixam-se de até agora apenas receberem silêncio.

 

As críticas foram ouvidas esta tarde numa conferência de imprensa promovida pelo deputado Pereira Coutinho, na qual estiveram presentes cerca de seis dezenas de pessoas. Se nada for resolvido, Coutinho e os lesados deste caso ponderam recorrer aos tribunais.

 

Nas histórias ouvidas na conferência de imprensa, houve quem tivesse perdido 300 mil patacas e houve quem tivesse perdido três milhões depois de ter feito depósitos de dinheiro em salas VIP controladas pela Dore nos casinos da Wynn, SJM e MGM China.

 

Pereira Coutinho explicou que os valores são diferentes, tal como as formas de investir e as formas de retribuição de juros, que rondavam os 20 por cento ao ano.

 

De acordo com o deputado, o dinheiro dos lesados chegou à Dore “como empréstimo para terceiros jogadores, outros para efeitos de investimento, outros para ter taxas de juro”.

 

Cada caso é um caso, disse Coutinho, mas em comum uma coisa: todos cabem na zona cinzenta da lei.

 

Segundo o deputado, “não existe uma regulamentação específica para a colocação de avultadas somas dentro dos casinos. Por outras palavras, há lacunas na lei. As salas de jogo permitem o recebimento de somas, mas não se percebe muito bem a que título”.

 

A lei pode ter lacunas, mas Coutinho diz que as autoridades sabiam o que se passava: “Tanto a autoridade monetária, como o Gabinete de Informações Financeiras, como a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos têm conhecimento desses valores, pois existem instruções claras de que todas as somas superiores a 20 mil patacas, em qualquer tipo de transacções, as pessoas têm que ser identificadas para efeitos de controlo para evitar o branqueamento de capitais”.

 

Até ao momento foram cerca de 30 os investidores da Dore que denunciaram o caso à Polícia Judiciária e ao Ministério Público, reclamando a devolução de um valor global de mais de 300 milhões de dólares de Hong Kong.

 

Coutinho reconhece que se trata de um caso de polícia, mas não descarta a responsabilidade das autoridades.

 

O deputado fala em “responsabilidade solidária” por parte das operadoras de jogo em relação às salas VIP.