Terça, 02/09/2014

Jason Chao não se sente seguro em Macau desde o primeiro dia do referendo civil. Esteve em "locais seguros" nos últimos dias por receio das autoridades de Macau e volta a afirmar a sua inocência.

 

O líder do referendo civil conta que enquanto esteve fora a polícia de Macau tentou insistentemente localizá-lo. E quando regressou no Domingo foi parado na fronteira do Terminal Marítimo do Porto Exterior e levado para a sede da Polícia Judiciária, local onde ontem foi declarado suspeito no caso da Macau Concelears, de alegado abuso do símbolo da Policia Judiciária.

 

Jason Chao insiste que está inocente em todos os casos relacionados com o referendo e admite não se sentir em segurança. “Não acho que esteja seguro em Macau. A polícia abusou do poder de modo desenfreado durante o referendo (...) Não considera que eu tenha cometido qualquer crime. Isto é muito importante. As actividades relacionadas com o referendo civil são perfeitamente legais. Se o Governo decidiu criminalizar o referendo civil, o problema é do lado dele”, disse, nas primeiras declarações públicas desde que saiu do território, após a detenção pela Polícia Judiciária.

 

A PJ deteve Jason Chao por ele ter supostamente desobedecido à polícia no primeiro dia do referendo civil, na sequência da recolha de dados pessoais dos participantes, e o Ministério Público aplicou-lhe o termo de identidade e residência. Entretanto, Jason Chao já apresentou uma queixa ao procurador do Ministério Público contra os responsáveis pelo Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais, que consideraram que os organizadores do referendo estavam a violar a lei. O antigo presidente da Associação Novo Macau não sabe ainda se vai ter de responder em tribunal. 

Terça, 02/09/2014

Jason Chao diz que os resultados da segunda pergunta do referendo civil, anunciados na noite passada, são claros: a maioria não confia no Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On. O líder da iniciativa preferiu não especular sobre as razões por detrás deste resultado, mas deixa o recado a quem entende que o número de pessoas que votaram é pouco representativo da população de Macau.  

 

“Vemos pelo número total de votantes que o referendo foi muito mais representativo do que a verdadeira eleição do Chefe do Executivo. Notámos também que o número de votantes do referendo está em linha com o número de manifestantes que protestaram à porta da Assembleia Legislativa no dia 27 de Maio”, afirmou Jason Chao, esta tarde, em reacção aos resultados da segunda pergunta.

 

De acordo com a organização, o portal para a votação no referendo civil foi alvo de ameaças informáticas mais de 26 mil vezes, houve várias pessoas a tentarem fechá-lo, durante a semana em que esteve activo. Jason Chao detalha que detectaram ameaças de endereços de IP da China (8983), de Hong Kong (7712), dos Estados Unidos (6435) e de Macau 3085.

 

“Tendo em conta que o Governo reprimiu fortemente o referendo civil não foi possível termos uma votação física e, deste modo, conseguiu afectar, à partida e de forma significativa, os resultados. Ainda assim, conseguimos 8 mil residentes a participar neste referendo”, apontou o líder do referendo informal.

 

Recorde-se que os resultados da primeira pergunta indicavam que a maioria dos votantes do referendo civil considera que o Chefe do Executivo devia ser eleito por sufrágio universal em 2019 - o que representa 95 por cento do total de 8688 votos. Os resultados da segunda pergunta só agora puderam ser divulgados por imposição da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo que proibiu a publicação no dia da votação oficial em Chui Sai On. 

Terça, 02/09/2014

Cerca de 90 por cento das pessoas que votaram no referendo civil dizem não confiar no actual Chefe do Executivo. É este o resultado da segunda pergunta, divulgado ontem à noite pelos organizadores. Dos 8688 que votaram, 7762 dizem não ter confianca em Chui Sai On, 388 afirmam que sim, 528 abstiveram-se e houve 10 votos brancos.